Histórias inacabadas
Dia desses eu twittei que “Me desagrada profundamente acompanhar uma história e depois ficar sem saber como termina… É tão frustrante!“. Lembrando que lá não é blog e o melhor lugar para as coisas filosóficas é o blog e não aquele msn pós-moderno, cá estou eu tentando destrinchar o meu raciocínio para ver se eu faço uma tese decente.
Imagine uma situação como a seguinte: Você está no ônibus, não tem nada para fazer mesmo, a viagem é longa então você – que feio – começa a prestar atenção na conversa alheia. Não dá uma puta raiva quando as duas mulheres descem antes de você antes da história terminar?
Sim, é um estilo bem voyer way of life. Coisa de gente sem vida social, talvez.
Mas isso acontece com gente normal também. Quando você namora e um belo dia (ok, talvez nem tão belo assim) o relacionamento termina, do nada você deixa de acompanhar a vida de outra pessoa da forma mais brusca possível.
Nada mais de e-mails bobinhos. Qualquer aproximação deve ser cercada de mil pretextos. Ficamos dependentes daquela personagem que acompanhávamos cuja existência se entrelaçou com a nossa, e quando há a ruptura na narrativa nós ficamos perdidos.
Enterros, ofertas de emprego, o show de uma banda que o outro gostava… Tudo é motivo para chegar mais próximo daquele conto viciante. Qualquer retalho serve, e quando os obtemos ficamos roendo as unhas e falando conosco mesmo, como se ainda pudéssemos interagir naquela história (como nossas mãe vendo novela).
Enfim: é uma merda.
Tem solução? Não faço a menor idéia. Acho que a vida em sociedade nos impõe problemas como esses. Talvez se ficássemos só nos romances, só no plano teórico das coisas tudo seria bem mais fácil.
4 comments junho 6th, 2009