Histórias inacabadas
junho 6th, 2009
Dia desses eu twittei que “Me desagrada profundamente acompanhar uma história e depois ficar sem saber como termina… É tão frustrante!“. Lembrando que lá não é blog e o melhor lugar para as coisas filosóficas é o blog e não aquele msn pós-moderno, cá estou eu tentando destrinchar o meu raciocínio para ver se eu faço uma tese decente.
Imagine uma situação como a seguinte: Você está no ônibus, não tem nada para fazer mesmo, a viagem é longa então você – que feio – começa a prestar atenção na conversa alheia. Não dá uma puta raiva quando as duas mulheres descem antes de você antes da história terminar?
Sim, é um estilo bem voyer way of life. Coisa de gente sem vida social, talvez.
Mas isso acontece com gente normal também. Quando você namora e um belo dia (ok, talvez nem tão belo assim) o relacionamento termina, do nada você deixa de acompanhar a vida de outra pessoa da forma mais brusca possível.
Nada mais de e-mails bobinhos. Qualquer aproximação deve ser cercada de mil pretextos. Ficamos dependentes daquela personagem que acompanhávamos cuja existência se entrelaçou com a nossa, e quando há a ruptura na narrativa nós ficamos perdidos.
Enterros, ofertas de emprego, o show de uma banda que o outro gostava… Tudo é motivo para chegar mais próximo daquele conto viciante. Qualquer retalho serve, e quando os obtemos ficamos roendo as unhas e falando conosco mesmo, como se ainda pudéssemos interagir naquela história (como nossas mãe vendo novela).
Enfim: é uma merda.
Tem solução? Não faço a menor idéia. Acho que a vida em sociedade nos impõe problemas como esses. Talvez se ficássemos só nos romances, só no plano teórico das coisas tudo seria bem mais fácil.
Entry Filed under: Psico-história
4 Comments Add your own
1. Evandro Cesar | junho 15th, 2009 at 12:14
É uma merda mesmo… Fui numa psicóloga uma vez e ela me disse que eu vivia no mundo das idéias (faço questão do acento) e que isso me fazia sofrer quando me deparava com o tal mundo real. Depois de muito debate falei pra ela que eu deveria virar escritor já que vivia no mundo das idéias e sabe o que ela me disse? E como vc vai se sustentar? hauhauahauhauahuaha Tem que rir pra não chorar
2. Thera Fajyn | junho 15th, 2009 at 12:18
Tem gente que não tem imaginação! Manda um blé para ela Evandro!
Quem disse que não dá para fazer as duas coisas? O Tio Cardoso está aí para nos dar a esperança de que isso é possivel, não é?
3. Evandro Cesar | junho 15th, 2009 at 12:29
Sim, tio Cardoso é a única esperança
Vou mandar um grande blé sim! Abração
4. Thera Fajyn | junho 15th, 2009 at 13:01
Sugestão acatada? Weee!
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