Posts filed under 'Diarinho'
Oportunamente eu estou em casa nesse período movimentado e fortemente documentado pela mídia desta operação das forças do Estado na Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão, assistindo o desenrolar desse Big Brother Policial. Assisti a fuga da Vila Cruzeiro com a alegria de quem quer ver as coisas se encaminharem para o melhor, apesar da presença do “ao vivo” tolher algum dedo nervoso se tornar juiz e executor de uma pena quer nem existe no país.
Quando começaram a surgir as denúncias de abuso nas revistas depois da ocupação, só me ocorreu uma coisa:
O que se esperava? Não chamaram a operação de Gerra? Populações de áreas em guerra eram tradicionalmente pilhadas, vandalizadas pelos vencedores do conflito.
Quero acreditar que esses casos sejam exceções. Que evoluímos e que sejamos conscientes de que essas formas de comemoração não são mais admissíveis. Que não sejam ponta de um iceberg, chamarizes por temor que mais condutas contemporaneamente inadequadas venham a público.
A presença da mídia neste evento induziu um nível menor de violência, talvez? Esperemos que não perca o efeito tão cedo, ajudando a criar um cultura mais…humana, quem sabe?
novembro 30th, 2010
Parece ser um produto da epifania um monte de ideias que depois se esmaecem e não se sustentam. A medicação leva embora o pique que me inspirava, aparentemente. Me pergunto se eu não desaceleraria naturalmente se o processo não fosse interrompido com medicação.
Pela segunda vez essas descobertas-certezas-experiências que eu inicialmente chamei de “epifania” foram interrompidas. Desta vez não é fácil para mim identificar quando foi essa interrupção: não houve uma transição de ambiente do tipo casa-hospital como em 2007. Tampouco consigo definir um começo, uma vez que apesar da realidade adquirir cores fantásticas, para mim faz sentido.
Fico com a impressão de que é uma questão de tradução, que estou “vendo”, “aprendendo”, coisas que eu não consigo expressar por aqui, no “mundo real”.
Minha esperança vem dum período pouco antes deste novo episódio onde explorei um pouco linguagens como a música, a dança e até mesmo o olfato como formas de expressão, confortável com versões de mim refletidas uma a uma nas seis portas do meu armário. Esse “episódio” não contou como doença. Acho que por que não afetou muito o próximo. É bem verdade nesses cultos a minha consciência não se afastava muito do padrão, mas não consigo dissocia-lo da experiência-doença como um todo.
A verdade é que eu tinha esperança que essas novas ferramentas de expressão me ajudassem a não apavorar quem estivesse à minha volta quando eu tivesse uma desses epifanias. Mas nem a medicação de controle nem as formas alternativas de expressão ajudaram agora. O teatro sagrado que montei à minha volta ainda era assustador – não há nada de discreto em aspergir perfume no seu quarto quebrando o vidro do mesmo quando você adquiriu o hábito de acender incensos por lá.
Então estou aqui. Na ressaca da lição.
Já sem rigidez me proibindo de me erguer, banhar, comer, beber, esfregando na minha cara o quanto eu posso ser dependente dos outros. Costumam botar a raiva no rol dos vilões, mas ela me valia para fechar os punhos, trançar os dedos e ajudar minha família a me mover. Sinto-me mal por dar tanto trabalho, então de boa vontade esperava um rompante de exaustão por parte delas que graças a Deus nunca veio (o que não me impediu de me imaginar com as marcas que esse estresse poderia gerar).
Acho que houve uma lição sobre alimentação aqui: Tem historinha delirante sobre o que eu comia ou não. Além da possibilidade física, lembro-me de estar como que fraca nessa fase, tinha toda uma mitologia sobre o que eu comia e bebia. Cada refeição era uma celebração e tudo tinha seu motivo para ser ingerido. Deus abençoe os coqueiros, vivi a base de água de coco por um tempo!
Já voltei ao normal, se não estou dormindo estou comendo e vice-versa.
Melhor parar por aqui. Não lembro de texto grande por aqui e meu nariz já está congestionado pelas lagrimas que este exercício de escrever sobre o ocorrido me fez derramar. Também não me ocorre grandes adições a serem feitas por hora. Melhor publicar logo antes que eu me arrependa ou a light apague de vez a luz por aqui!
outubro 23rd, 2010
Não posso negar mais uma certa tristeza.
Minha “doença” voltou a incomodar os outros e por isso estava novamente numa maratona, me entupindo de remédios. Incapaz de me erguer, vestir ou alimentar.
Isso joga a auto-estima, já inexistente da pessoa no chão.
Tentei levar na boa. Cerrar os punhos e me erguer mesmo quando a força era insuficiente, para não ser um peso morto para os meus familiares.
Mas não gosto nem um pouco da idéia de ter que fazer hemograma toda a semana. Na verdade, nem da idéia de me drogar pro resto da vida, que é o que meu psiquiatra não diz mas deixa entrever quando diz que eu utilizarei lítio por muito tempo.
(Antes que algum “Poliano” se adiante: Sei que deve ter gente muito pior do que eu por aí, mas a existência deles deixou de me trazer conforto tem um bem tempo.)
Melhor eu parar por agui, enquanto o teclado não se importa com a chuva de lágrimas que se anuncia por aqui.
Athé +, p-soal!
outubro 7th, 2010
Pequeno teste feito com o teclado configurado para o alfabeto cirílico.
Continue Reading setembro 10th, 2010
O que uma mulher apaixonada por mussolini, comércio de almas e baiacu têm em comum?
Todos foram temas de filmes na Maratona Odeon da semana passada. Uma grata surpresa, devo confessar.
Venho ha um bom tempo acalentando a idéia de ir numa dessas sessões múltiplas promovidas – em geral - na primeira sexta feira do mês no Odeon, o único cinema sobrevivente dos áureos tempos da Cinelândia. Uma sessão tripla de cinema intercalada com música coroada por um café da manhã era algo que me atraía.
Mas tinha eu meus complicadores:
- Como aguentar uma madrugada acordada depois de um dia de trabalho?
- Como passar essa madrugada sozinha, uma vez que depois de algumas sondagens eu não consegui ninguém disposto a me acompanhar?
- E para ficar mais idade média, junto com a questão de não ter um acompanhante: Como explicar em casa que vou passar uma noite acordada, fora de casa e desacompanhada?
A curiosidade acabou sendo maior: Aproveitei o princípio das férias, arrumei algo para fazer no sábado que justificasse minha permanência no centro – o Luluzinhacamp – e me armei de cara de pau para ficar lá sozinha entre grupos. E foi ótimo!
Eu lá, com o meu sanduíche-brioche de queijo brie com damasco, encarando o olhar psicótico de Mussolini em “Vincere”. Me deliciando com o argumento fantástico de “Almas à venda” e rolando de rir com o bizarro “Morgue Story – sangue, baiacu e quadrinhos”. Fui pensando em me consolar com a música e com o café da manhã, mas o prato principal foi mesmo os filmes.

Excedeu totalmente as expectativas. Quero de nooooovo!
agosto 13th, 2010
Graças à generosidade da querida companheira de luluzinhacamp @deniserangel tive a oportunidade de estar presente na abertura do Anima Mundi 2010. Infelizmente ela não pode aproveitar o par de convites que ganhou na promoção realizada pelo @blogpetrobras por estar adoentada (mas já está devidamente intimada a assistir uma sessão comigo, aiaiaiaiai!).
Para quem não sabe, o Anima Mundi é um festival de animação fantástico que fez o feito de elevar a produção de animações no Brasil de menos de 200 vídeos em 83 anos para mais de 2000 em seus apenas 18 anos de existência. Apesar de ser cria tupiniquim, não exibe exclusivamente obras nacionais: inscrevem-se para o evento filmes de vários lugares, como a estreante República da Macedônia.

A Petrobras é uma das principais patrocinadoras do evento, mas, como todo o evento nacional, há mais uma séééérie de patrocinadores. Ocupou 1/4 dos apresentadores, para se ter uma idéia. Mas uma infinidade de patrocinadores tem lá suas vantagens, como permitir que que o ingresso de cada sessão custe ridículos R$ 6,00.
A sessão de abertura do Anima Mundi é um evento e tanto. Barraquinhas nos recebem com o clássico pipoca-e-guaraná enquanto o local cedido pelos Correios para a montagem da Praça Animada, cujas origens digamos circenses foram lembradas na apresentação, não era aberto para a exibição da sessão. Depois de todos acomodados, quatro apresentadores se revezaram comentando as origens e a programação do Anima Mundi 2010.
A sessão propriamente dita foi composta de 11 curtas produzidos com diversas técnicas, selecionados para serem como um resumo do que deve ser esperado para este ano. Devo dizer que somente quatro filmes me causaram estranheza, mas mesmo estes tinham seu quê de interessante que me impedem de considera-los ruins: dos outros, classifica-los como menos do que excelentes seria uma ofensa.
A estrutura da primeira da mais de 60 sessões do Anima Mundi tem uma característica que infelizmente não pode ser replicada para todas: o comentário inicial sobre as animações que serão apresentadas dá uma certa expectativa sobre o que iremos ver, atiça nossa curiosidade enquanto nos informa. Uma pena que não seja dedicado pelo menos uma das salas de projeção para esse formato.
Com essa amostra, não tenho dúvidas: Me esqueçam na próxima semana. Estarei muito ocupada fazendo minha maratona Anima Mundi. Se eu fosse você visitaria AGORA a programação on line e já ia escolhendo o que assistir, afinal começa hoje aqui no Rio e só temos uma semana!
PS: Paulistas não fiquem tristes, a vez de vocês é logo em seguida!
PS2: Galera fora do eixo Rio-SP, não se desesperem: É possível levar o Anima Mundi para a sua cidade (pelo menos algumas sessões). Fuxiquem lá no site do evento que eu lembro que tem algo sobre isso por lá!
julho 16th, 2010
[Outro post dos arquivos, desta vez um ainda não publicado. Escrito em algum momento anterior a 23.11.2008 - BoD 1/2]
Deixem-me algum tempo para superar os efeitos do Red bull (Que aliás é horrível puro, agora entendo pq o misturam com coca cola!). Ainda estou com algum efeito colateral, a julgar pelo sonho envolvendo um caminhoneiro baixinho, uma entrada pela janela à la Rapunzel às avessas, uma camisinha estourada e uma velhinha no banheiro para o qual me dirigi depois de me encontrar com a mãe do príncipe na cozinha.
Apesar de me progamar para chegar atrasada, com o trânsito do contrafluxo, acabei sendo pontual. Depois de uma horinha de viagem com mais 7 homens de interesses duvidosos (qualé, centro da cidade sábado à noite?!) cheguei no Recanto da Lapa.
Por enquanto vai só isso mesmo, por que eu tenho que sair para fazer compras com a minha mãe. É o castigo por ir para a farra. ¬¬
Eu poderia guardar isso e continuar depois né? Mas correria o risco deu desanimar, esquecer e acabar não escrevendo nada. Então já já eu volto e conto o resto (ou não).
Athé +!
julho 15th, 2010
Tem uma série de temas por aqui que eu tentei escrever a respeito mas não saiu uma vírgula a respeito. Só para esvaziar a minha lista de rascunhos, farei um post cretino como esse só listando os temas, que são…
- Introdução à fenomenologia – (algo escrito);
- Fermento na massa;
- Pandora eslava – (algo escrito);
- Você não tinha um compromisso para hoje?;
- Como roubam nossas idéias brilhantes… – (algo escrito);
- Seus problemias se acabaram – (algo escrito)
- Psico-história 2010 – (algo escrito);
- Russos no Aritmante?;
- Sobre comentários – (algo escrito);
- Sobre bodas – (algo escrito);
Tomarei coragem para desenvolver esses temas, mas dificilmente será agora. Agora tem gente na fila para usar o computador, tão até me mimando para tentar me subornar. Acho até que vou aproveitar e listar os pendentes também, que são “Repercussões do BAD” e “Evolução da Dança”.
Alguma idéia sobre em qual desses temas eu deveria começar a tratar? Do que vocês acham que se trata?
Tags: planejamento
julho 11th, 2010
Estava olhando alguns posts em aberto e reparei que vários deles eram sobre livros: desde romances de banca a dramas reais sobre encontros com finais não tão felizes, passando por a princesa e o goblin (suposta inspiração para o senhor dos anéis) e pelo pequeno príncipe. Obviamente não conseguiria escrever sobre eles, agora que a adrenalina da leitura deles já foi consumida.
Mas aí já era. A curiosidade foi despertada e fui lá verificar como andavam as minhas leituras desse ano no skoob, afinal foi para isso que ele foi criado não?
Um pequeno aparte. Duas coisas pioram minha dependência crônica e compulsão de/por livros . Uma é a criação dessas feirinhas de sebos que ficam tipo um mês em praças tipo a da Carioca ou Cinelândia, que me faz gastar por lá todo o meu dinheiro de mioça trabalhadora. Outra é a idéia revolucionaria que me foi incutida recentemente que eu não preciso acabar um livro para começar a ler outro: isso gerou uma bela pilha de livros meio-lidos.
Mas voltemos ao foco que é eu tentar descobrir o que me chamou a atenção o suficiente para que eu lesse nesse meio ano. Hoje temos 36 publicações cadastradas no meu perfil, sendo que 12 são do ano passado e outro do novo semestre, então não contam nessa brincadeira. Estou um pouco frustrada, achei que seriam mais que isso, embora tal numero tenha algo de místico. Olhei errado: Eram 78 livros, menos os tais 13… tirando mais dois que não foram publicados ou que estão pela metade.. 63 títulos, nada mau!
Tem um e-book no grupo, que eu achei perdido na rede do trabalho. Devo confessar que livros nesse formato são uma boa opção para melhorar o volume do obras com as quais você tem contato, só que no meu caso tenho que prestar atenção em que tema estou ouvindo por que sou meio dispersiva ouvindo. Mas com “Violetas na janela” não foi muito problema.
Outra ferramenta facilitadora de leitura que eu (re)descobri deste período foram os quadrinhos. Certo, talvez 28 das minhas leituras serem mangás ou hqs talvez só revele minha manobra bara inchar aquele numero de itens lidos, mas foi graças a uma adaptação para quadrinhos que eu pude finalmente descobrir sobre o que se trratava o tão falado “Memórias póstumas de Brás Cubas”. E ainda tem vários destes clássicos nacionais para eu ler, aproveitando que o Extra tava vendendo junto com os jornais.
Outra suposta inutilidade são os onze romances de banca consumidos no período. Talvez sejam somente uma versão da mesma inquitação que me levaram aos livros “sérios”, essa coisa de tentar entender a mim mesmo, aos outros e o universo que nos cerca.
No fim das contas, fiquei com a impressão de que tirei pouco espaço para o lazer dentre os livros. Tirando a série dos Olimpianos e um ou outro título, o lazer acabou meio relegado às figurrinhas. O que é uma estratégia, de qualquer forma.
Agora é começar a pensar nas leituras do respo do ano!
julho 10th, 2010
Último texto: (vocês pensaram que eram muitos? Tadinhos!). Dessa vez, publicado em 5 de setembro de 2005. Divirtam-se!
Desventuras rodoviárias II
Por Rê
Acordando do meu sono recuperador, abro um olho, esperando estar, no mínimo já na altura da estação Leopoldina.
Água.
Imediatamente abro o outro olho.
- Água? Como assim água?
Fecho os olhos, dou uma ”polida” por cima das pálpebras e abro novamente:
O cenário dos Jetsons se descortinava ao meu redor: diversas pontes, a minha van sobre uma delas.
- AONDE EU ESTOU? Meu sangue gelou nas veias Será que peguei van errada e estou indo para outro lugar?
Perguntei as horas para um senhor acordado no meu lado. Para onde quer que eu estivesse indo, com certeza chegaria atrasada no trabalho.
Será que eu estou indo para Niterói? A essa altura eu já estava planejando ligar assim que o meu veículo chegasse ao seu destino e avisar que ia chegar no mínimo depois do almoço. Afinal, até eu me localizar em Nikit City… Vou aproveitar e se der tempo eu passeio um pouco por lá pensei, seguindo a máxima do ”relaxa e aproveita”.
Então passei a me concentrar na paisagem, procurando algum ponto de referência para me localizar: placas indicativas, coisas do gênero. Em geral eu me oriento pelos nomes dos bares à beira da estrada, mas dessa vez não contava com esse artifício. Em angustiantes momentos vejo uma placa anunciar:
Centro Olímpico da Maré
Legal. Estava no complexo da Maré. Que bom.
E isso, tirando o que se ouve de noticiários, não queria dizer nada para mim. Como uma boa Refugiada, só conheço os trajetos que sou obrigada a fazer: as combinações de casa-trabalho-aula-casa.
Ou seja, continuava sem ter a mínima noção de onde eu estava.
Quando de repente não mais que derepente eu vejo um contorno familiar. Não pode ser. Será? E era mesmo. O Castelo da FIOCRUZ!!! Adeus manhã livre. Adeus passseio em Nikit (eu já estava totalmente convencida que estava indo pra lá…rs…)
Detalhe: o citado lugar é mais ou menos no MEIO do caminho para o meu trabalho… Em resumo, de qualquer forma cheguei atrasada…
O Centro Olímpico da Maré realmente é um lugar que eu só veria assim mesmo. Não é maldade, mas o local não faz parte do meu trajeto. Para quem quiser dar uma conferida, tomei a liberdade de deixar um link para vcs (ou seja, alguém que um dia visitar o nosso modesto blog) do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré.
Até mais,
* Rê.
Tags: Desventuras rodoviárias, republicação
julho 9th, 2010
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